Pesquisadores brasileiros membros da Sociedade Brasileira de Mastologia acabam de finalizar um estudo que comprova que a ressonância magnética é eficaz para predizer se existe ou não invasão do tumor no mamilo. Na ausência desses sinais, os médicos conseguem realizar a mastectomia preservando a papila com segurança e a estética da mama com tratamento oncológico adequado. Até hoje, a ressonância magnética era usada com esse objetivo, porém não havia comprovação científica de que era tão eficaz.
Segundo o coordenador do estudo, Dr. José Roberto Piato, essa comprovação é importante porque ajudará os médicos a diminuírem significativamente, e de forma segura, o número de mastectomias totais, ou seja, as pacientes passarão a ter a maior parte possível de suas mamas preservadas, aumentando assim sua autoestima e diminuindo o impacto do tratamento da doença. Isso porque o exame detecta com até 90% de acerto se o tumor atingiu o mamilo.
“A mastectomia tradicional remove grande parte da mama e do mamilo. Por isso, a necessidade de estudos como este para incentivarmos a diminuição da mutilação”, afirma Dr. Piato.
O estudo foi realizado com 165 mulheres com câncer de mama residentes em São Paulo. Todas as pacientes foram submetidas à ressonância magnética antes da cirurgia e 83,3% apresentaram resultado negativo para comprometimento do mamilo – um número que surpreendeu os médicos.
Em 2016, o Brasil terá 57.960 novos casos de câncer de mama, segundo o INCA. A incidência da doença tem aumentado entre 1% a 2 % ao ano. Estima-se que hoje 10 mil mulheres ao ano que precisam de mastectomia (retirada da mama) para tratar o câncer da mama terão seu órgão amputado, formando um verdadeiro exército de mutiladas, que sofrem com depressão, e, muitas vezes, a perda do seu parceiro.